28 de Junho de 2008. Devem ser cerca de 7 da manhã e, apesar de eu estar oficialmente de férias e ter carta branca para dormir até tarde, já estou de pé.
A razão? Vou apanhar um autocarro até Lisboa.
Amanhã vai ser um dia pelo qual já espero há muito tempo. Até tempo demais, acho eu.

29-06-08. O dia em que irei assistir, pela primeira vez, a um concerto dos Tokio Hotel. Mais precisamente em Lisboa. Estou super entusiasmada e não consigo dormir ou deixar de pensar nisto.
Há tanto tempo que desejo isto. Senão vejamos: descobri os Tokio Hotel há quase 3 anos, quando eles vieram como convidados aos MTV European Music Awards, a 3 de Novembro de 2005, em Portugal.
Descobri porque li o nome deles e achei piada, descobri porque tive curiosidade suficiente para abrir uma página do
YouTube e ouvir a música deles.
A primeira canção que ouvi chama-se
Beichte e foi
este vídeo que me apaixonou. Ao vivo. No
The Dome.
No fundo, já foi há muito tempo atrás. Mas são coisas que não se esquecem, que continuam cá, que evoluem mais e mais.
A paixão cresceu mais do que o que eu alguma vez poderia imaginar.

29 de Junho de 2008. Não consegui dormir. Voltei-me tantas vezes na cama que os lençóis estão todos revirados.
Acordei muito cedo e dirijo-me ao Pavilhão Atlântico.
Não sei bem a que horas lá cheguei mas lembro-me de sentir os olhos pesados de sono.
As minhas amigas já lá estão, desde as 2 da manhã e guardaram-me um lugar.

Vou encontrar duas delas frente ao Vasco da Gama e encaminhamo-nos para o nosso lugar na fila.
«Está um pouco de sombra aqui.» - pensei aliviada.
Beneficiando de um lugar perto de uns chapéuzinhos laranja, junto à FIL, resolvi sentar-me no chão, em cima de um colchão para poupar um pouco as minhas pernas.
Falamos um pouco da noite anterior, dos dias que antecederam, do que esperamos para aquele dia...
Não estamos muito interessados em falar. Cada um de nós guarda para si um pouco de introspecção, de reflexão e todos nós sonhamos.
À nossa volta, vejo pessoas até perder de vista, todos eles aqui pelo mesmo motivo.
Pergunto-me se todos estarão no mesmo nível de fãs, se todos terão a mesma devoção e sentirão a mesma idolatria que eu sinto pelos Tokio Hotel. Há quanto tempo gostarão deles? Qual serã o seu membro preferido?

Aborreço os outros e a mim própria com as minhas preocupações, por isso levanto-me e vou procurar a minha amiga Ali, que veio de Itália para assistir ao concerto.
Conheci-a através de uma amiga comum, no Flickr, e começámos a falar. Sempre conversámos muito, através do MSN, apesar de se resumir tudo ao Inglês.
É espantoso como as pessoas se podem unir por interesses comuns.
Resolvi procurá-la, sem fazer ideia de onde ela estava. Tentei ligar-lhe mas a minha rede assumia o número dela como sendo português (e não italiano) e dava-o como não estando atribuído.
Sem contacto, perguntei por ela a quase todas as pessoas que me iam aparecendo à frente.
Numa dessas procuras, estava eu a olhar por entre as pessoas, procurando-a, surgiu uma rapariga ao pé de mim.

«Olá! Tudo bem? Reconheci-te pelo teu cinto!» - após o espanto inical, reconheci-a destas fotos.
Após uma conversa breve, com ela, procurei mais um pouco a minha amiga e acabei por desistir voltando para o meu lugar na fila.
Quando voltei, foi hora de almoçar. Não que eu seja adepta de comida de plástico mas a comodidade e rapidez de ter um MacDonald's perto faz maravilhas.
Não que tivesse fome. Aliás, não tive durante todo o dia e, ainda hoje, passados uns dias, continuo com aquela sensação de nó no estômago, sem vontade de comer muito.
Após almoçarmos, começou a gerar-se um pequeno distúrbio perto do nosso lugar na fila.
Acabei por descobrir, tal como outros que ali se encontravam, alguém muito parecido com o guitarrista dos Tokio Hotel, Tom Kaulitz.
Resolvi tirar uma foto a este Mini-Tom, só para a posterioridade, para mais tarde recordar.

Entretanto, fui tentando tirar fotos ao longo de todo o dia, até porque o cartão da minha máquina tinha uma capacidade razoável e eu queria muitas memórias desse dia.
Este muito calor e durante o dia tive de recorrer constantemente aos vulcões de água do Parque das Nações para me refrescar. Além disso, usei óculos (tal como provam as fotos) e besuntei-me (literalmente) de protector solar.
Um pouco depois do almoço, recebi uma chamada da minha amiga Ali e fui outra vez à procura dela. Desta vez, encontrei-a. Aparentemente não tinha estado de manhã na fila e tinha voltado apenas por volta da hora do almoço. Conversámos muito, tirámos fotos e eu acorri ao meu lugar na fila de volta para ir buscar a prenda dela: um retrato baseado nesta foto, ela com o Bill Kaulitz.
Ela adorou, ao que parece é minha fã :P e ofereceu-me uns sabonetes em forma de hamburguer e pacote de batatas fritas (hehe deve ser alusão ao meu almoço), que comprou para mim em Itália e que eu não consigo parar de cheirar. :D

Não comi durante quase todo o dia nem bebi muito (a água que eu tinha estava a escaldar devido ao sol, já que, agora, nem sequer os chapéus do PA nos protegiam), suei muito e apenas entrámos para o Pavilhão Atlântico por volta das 18h.

Fizémos uma enorme fila durante horas e depois, chegou a hora.
Mostrámos o nosso bilhete, abrimos as malas, o nosso bilhete foi visto de novo, desta vez para passarmos... e depois foi correr.
«Calma, calma!» - diziam os seguranças.
Não abrandávamos. Cheguei lá à frente, fiquei do lado esquerdo (do Tom), acho que na 6 ou 7ª fila.
Já estava contente com esse lugar.
Até ao concerto começar faltava uma hora e meia, talvez até mais.

Estava um calor infernal lá dentro.
De cinco em cinco minutos, olhava para o relógio.
Uma rapariga ao meu lado tinha o telemóvel na mão, aberto num daqueles programas para medir a temperatura. 52º C.
Tentava manter a calma, a serenidade, mas era impossível.
Tudo gritava e eu estava super nervosa.

De repente, gritos a mais que o normal. Muitos gritos. Uma luz. A cortina a baixar.
E começou. Não queria acreditar. Comecei logo a gravar a primeira cançao, Break Away.